Durante seu tempo no poder e mesmo agora, Donald Trump demonstrou, no mínimo, ceticismo e, em alguns momentos, hostilidade em relação ao grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e mais recentemente com a sua expansão.
Por Que Essa Postura?
A razão por trás dessa desconfiança pode ser entendida por alguns ângulos:
- Concorrência Econômica: Os países do BRICS, especialmente a China e a Índia, representam economias em rápido crescimento e mercados consumidores gigantescos. Trump, com sua política de “America First”, via o crescimento desses blocos como uma potencial ameaça à supremacia econômica dos Estados Unidos. Ele acreditava que práticas comerciais desleais por parte de alguns membros do BRICS (principalmente a China) prejudicavam a indústria americana.
- Desafios à Ordem Global: O BRICS, em diversas ocasiões, sinalizou o desejo de ter maior voz e influência nas instituições globais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que historicamente foram dominados pelos países ocidentais, com forte liderança dos EUA. Essa busca por uma ordem global mais multipolar pode ser vista por Trump como um desafio à tradicional liderança americana.
- Alinhamentos Geopolíticos: Alguns membros do BRICS, como a Rússia e, cada vez mais, a China, têm visões de mundo e agendas geopolíticas que, em certos aspectos, se contrapõem aos interesses dos Estados Unidos. A crescente cooperação dentro do BRICS poderia ser interpretada por Trump como a formação de um bloco de poder rival.
- Críticas ao Dólar: A discussão dentro do BRICS sobre a possibilidade de usar moedas locais em transações comerciais e a busca por alternativas ao dólar americano como moeda de reserva global são vistas com preocupação por Washington. O dólar é um pilar do poder econômico americano, e qualquer movimento que possa diminuir sua importância é encarado com cautela. As recentes expansões do BRICS, com a entrada de países como Arábia Saudita e Irã, que também têm relações complexas com os EUA, só acentuam essa preocupação.
O Que Trump Fez?
Durante seu mandato, Trump implementou diversas políticas que afetaram diretamente membros do BRICS, como:
- Imposição de tarifas: Ele aplicou tarifas elevadas sobre produtos chineses e, como vimos recentemente, ameaçou e impôs tarifas sobre o Brasil sob alegações de práticas comerciais desleais ou por questões políticas.
- Críticas diretas: Trump frequentemente criticou as políticas econômicas de países como a China, acusando-os de roubo de propriedade intelectual e manipulação cambial.
- Questionamento de instituições multilaterais: Trump também demonstrou desconfiança em relação a organizações como a Organização Mundial do Comércio (OMC), que é fundamental para o comércio global e onde os países do BRICS também atuam.
A Ameaça Percebida
Embora Trump possa não ter explicitamente declarado sentir “medo” do BRICS, suas ações e declarações indicam uma percepção de que o crescente poder econômico e a influência política do bloco representam um desafio aos interesses e à liderança global dos Estados Unidos. Sua estratégia parece ter sido a de confrontar individualmente os membros do BRICS através de tarifas e pressão, em vez de buscar um diálogo multilateral construtivo com o grupo como um todo.
Em suma, a postura de Trump em relação ao BRICS reflete uma visão de mundo competitiva, onde o crescimento de outros polos de poder é visto, no mínimo, com ressalvas e, em alguns casos, como uma ameaça direta à posição de destaque dos Estados Unidos na economia e na geopolítica global. A expansão recente do BRICS tende a reforçar essa percepção de um cenário global em transformação, onde a influência americana pode ser cada vez mais contestada