Em meio à escalada de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, o vice-presidente Geraldo Alckmin tem se destacado como a principal voz diplomática do governo federal. Acumulando também o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin vem conduzindo uma série de reuniões com empresários, lideranças setoriais e diplomatas para tentar reverter a aplicação da tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto.
Em pronunciamentos recentes, Alckmin reforçou que o governo está “trabalhando intensamente” para encontrar uma saída antes do prazo final. Ele tem adotado um discurso moderado, mas firme, defendendo que o Brasil busca “diálogo e equilíbrio” e que a imposição tarifária afeta não apenas os produtores brasileiros, mas também consumidores e empresas americanas.
Na prática, Alckmin tem coordenado o que o governo chama de um “gabinete de crise do comércio exterior”, que envolve representantes do agronegócio, da indústria, do Itamaraty e da Casa Civil. Uma das frentes lideradas por ele é a tentativa de conseguir exceções setoriais — como carnes, café e aço — ou cotas que diminuam o impacto direto sobre os produtos brasileiros.
O vice-presidente também articula com câmaras de comércio e entidades americanas, que têm demonstrado preocupação com os efeitos da medida para os próprios EUA. Segundo fontes do governo, há a expectativa de que essa pressão conjunta possa sensibilizar Washington a adiar ou flexibilizar a decisão.
Ao mesmo tempo, Alckmin vem tentando evitar que a crise comercial se transforme em um conflito diplomático ou político mais amplo. Ele tem buscado distanciar o Brasil de disputas ideológicas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro apontadas por Donald Trump como uma das razões para o tarifaço. “Queremos manter uma relação estável, racional e baseada em interesse mútuo”, disse o vice-presidente em entrevista recente.
A atuação de Alckmin nesta crise está sendo vista como um teste de sua habilidade política e diplomática. Com a responsabilidade de proteger a economia nacional sem acirrar tensões externas, ele caminha em uma linha tênue e os próximos dias devem revelar se sua estratégia surtirá efeito.